Brasil Júnior

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Porque a autonomia é importante para o sentimento de dono. Você conhece alguém que já lavou o carro que havia alugado?

Rogério Chér, nascido em 1968, é sócio da Empreender Vida e Carreira. Atuou como líder de diversas equipes e dentro de grandes empresas, além de ministrar aulas sobre empreendedorismo e ter escrito diversos livros sobre o assunto. O primeiro empresário júnior quer trazer dicas para ajudar aquilo que sempre acreditou na vida, o Movimento Empresa Júnior. Por isso, ele irá escrever regularmente para o nosso portal sobre: liderança, gestão de equipes e carreira.

No artigo a seguir, vamos entender um pouco sobre como a autonomia é importante para a gestão, principalmente de uma empresa júnior. Entenda como fazer o comprometimento o seu time florescer!

Thomas Friedman, escritor e colunista do The New York Times, fez menção a esta ideia em seu último livro Thank You for Being Late. Alguns pensamentos brotaram em minha cabeça diante desta frase.

Então pense comigo: comprometimento é uma palavra desejada quando imaginamos o tipo de relação que desejamos para nossos Liderados em relação aos seus trabalhos. Mas o que desperta este nível superior de compromisso? Uma das melhores respostas que você encontrará: autonomia.

Um forte senso de pertencimento é pré-condição para uma relação de qualidade. Sentir-se parte depende da conexão de sentido e significado que experimentamos ao fazer alguma coisa. Somente quando nos dedicamos a temas que nos arrebatam, que guardam relevante relação conosco, é que tal percepção de pertencer amplia nosso desejo de nos comprometer. Este é o passo mágico que a autonomia favorece.

Entre as mais importantes motivações intrínsecas, a automomia eleva o indivíduo a um nível significativo de dedicação, algo que nada e ninguém poderia cobrar dele tanto quanto é capaz de cobrar de si mesmo. Por quê? Está envolvido em desafios que, antes de serem relevantes para seu chefe ou sua organização, são relevantes para ele.

O mais notável exemplo é a 3M, com seus conhecidos 15% de tempo livre para que seus funcionários dediquem-se a projetos do seu interesse. Há outros casos bem sucedidos, como o Google, com seus 20% de motivação autônoma, ou o Studio Rosegaarde, da Holanda, com seus 30%. Não sem motivos, tais organizações apresentam sólidas culturas de inovação. A criatividade e o empreendedorismo florescem em ambientes em que certo grau de autonomia é bem vindo.

Outros exemplos inspiram nesta direção, como a Southwest Airlines, com a diretriz que libera seus funcionários – de qualquer nível ou função – para fazerem livremente de tudo que possa satisfazer seus clientes. Na mesma linha segue o Ritz Carlton, quando oferece a cada funcionário o valor de 2 mil dólares para serem gastos autonomamente com qualquer iniciativa que se mostre estratégica para resolver um problema de cliente.

A autonomia reforça a dor de dono, um sentimento tão bem vindo e altamente declarado como um comportamento super desejado entre as equipes. Mas sua manifestação dependerá, em enorme medida, de um espaço expressivo de liberdade para trabalhar com autonomia com base no que chamamos de os 4T’s deste tipo de motivação: Task (a possibilidade de escolher a tarefa que será realizada), Tool (quando podemos escolher ao nosso arbítrio com que ferramentas conduziremos o desafio escolhido), Time (a oportunidade de administrar a alocação de tempo para este trabalho) e Team (um dos componentes mais significativos da motivação autônoma: a chance de escolher com que pessoas conduziremos o trabalho). Pense o quanto isto é poderoso, inclusive para fortalecer o engajamento.

A autonomia provocará impactos mais profundos e positivos entre pessoas envolvidas em atividades complexas, não-rotineiras, imprevisíveis e que demandam soluções criativas com alta dose de improvisação. Já pude testemunhar o efeito que isto traz em inúmeros times. E você? Que experiência pode compartilhar comigo a respeito?

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.